1 de Março de 2010
Milão está zangada com Anna Wintour ou “Nuclear Wintour” como ficou conhecida após a sua drástica passagem pela Vogue inglesa. A actual editora-chefe da edição norte-americana da revista Vogue parece ter virado o Milano Donna do avesso ao anunciar que só ficaria na cidade durante três dias. De acordo com a agenda de Anna a organização do evento alterou o tradicional calendário de moda dos tradicionais nove dias para cinco, fazendo com que seja impossível assistir a um desfile e chegar a tempo do próximo na outra ponta da cidade. Apesar de Milão apostar muito mais na venda directa das suas roupas do que em publicidade, daí se vejam tão poucas celebridades a fazer branding nas filas da frente dos desfiles, as edições habituais em duplicado de desfile para compradores e desfile para impressa não foram o suficiente para controlar as hostes.
Um grupo de protestantes armadas de óculos escuros e perucas louras com o corte de cabelo de Anna protestaram à porta do desfile da Gucci com t-shirts a dizer “I’m only staying for three days”, demonstrando a sua indignação em ver a semana de moda de Milão alterada em função de uma só pessoa.
Ao que parece quando o mesmo sucedeu em Paris, a organização simplesmente pediu que alguém da equipa senior da Vogue em causa estivesse presente nos desfiles principais e o calendário não foi obviamente alterado.
Em Milão o caos continua, são cerca de oitenta e oito desfiles em setenta horas, para que Anna Wintour não perca os desfiles principais. Parece que Anna e os seus critérios editoriais são mais importantes para a notoriedade e venda do que contratar vinte celebridades para encher as filas da frente. E afinal depois de se terem espremido os desfiles das principais casas de costura para três dias, Anna Wintour ficou quatro dias sobre os quais Mario Boselli, presidente da Camera Nazionale della Moda Italiana comentou “pode ficar os dias que quiser, mas não aterrorizar-nos dizendo que fica apenas três, de outro modo é melhor que fique em casa”.
O facto é que falências anunciadas de casas como Gianfranco Ferre e Mariella Burani, despedimentos massivos na Versace, e mudanças de designers promissores para outras semanas de moda geram o receio de perda de poder e visibilidade no panorama internacional.
Fonte: Wall Street Journal
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